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Que venham os guias
06.2.11
Em um reino encantado dos céus chamado Aruanda, um espaço mítico onde se preza a paz, a liberdade e a sabedoria, existe um povoado espiritual de crianças, jovens, adultos e idosos que visitam a Terra para acalentar o coração aflito dos humanos. Invocados por meios de orações, leituras bíblicas, cânticos e toques de atabaques, esses seres divinos deslocam-se de sua morada celeste para incorporar em alguns filhos de fé e, por intermédio deles, operar curas físicas e espirituais. Conhecidos na Umbanda com a tríade de “Pretos -Velhos, Caboclos e Crianças”, eles seriam espíritos de luz que um dia foram humanos e que, por merecimento, tornaram-se ajudantes dos Orixás ( emanações divinas ) e de Zambi ( ou Olorum ), o Deus criador do universo.
A Umbanda acredita que os integrantes desta tríade espiritual atuam como guias da humanidade. Eles remetem as diferentes fases da vida e teriam a função de orientar os fiéis com os atributos de cada etapa. “ A criança simboliza a pureza, resolve as coisas sem preconceitos. Os caboclos têm o vigor, a força e o arrojo de nossa fase jovem e adulta. E os petros-velhos representam sabedoria, paciência e tranqüilidade. Essas entidades também são vistas como precursoras da nação brasileira. Suas histórias, segundo estudiosos, reconstituem as mazelas do período colonial e a dura batalha entre os imigrantes europeus e os povos de cor. “São sobretudo, estereótipos dos brasileiros, das imagens que se fixaram na história oficial e na cultura popular do País” ( Lísias Negrão-sociólogo-USP).
Aos poucos a Umbanda vai ampliando o leque de suas entidades com veneração a povos do oriente, ciganos, boiadeiros, marinheiros, etc. Num mundo mais próximo dos humanos, a religião conta com Exus, Tranca-Ruas, Malandros e Bombogiras, que são qualificados para auxiliar na resolução de problemas terrenos. “ A Umbanda representa, com suas entidades, diferenças raciais e éticas, profissionais, regionais, de gênero e idade e, inclusive, morais”, diz o sociólogo Lísias. “ Por meio delas, traz esperanças de proteção, de solução dos problemas cotidianos e de superação dos males.” Dessa mescla de personagens, cada qual com sua história e personalidade, criou-se um grupo de espíritos que celebra o convívio pacífico com as diferenças, onde todos têm algo positivo para oferecer.
Adaptado do texto título na revista Religiões, de maio de 2005




